Influência do perfil psicológico materno/familiar em crianças asmáticas 
Olair Rafael da Silva Júnior

UNICAMP JUNHO/1999

Ainda que a Medicina, por causa da sua evolução histórica, queira se restringir aos aspectos genéticos e físicos em sua busca da causação da doença, não mais se pode negar os aspectos do psiquismo de cada um, per si, como um dos mais importantes co-fatores que influenciam o equilíbrio dinâmico do sistema imunológico. Essa mesma Medicina que se baseia em demasia no paradigma científico apregoa o aforismo de que "a clínica é soberana", deixando uma abertura paradoxal, de vez que sintomas são de interpretação idiossincrática, i.e., próprios da esfera individual e subjetiva.

"... a causalidade neural, portanto, não pode ser explicada de modo pleno pelo reducionismo; deve-se buscá-la, em vez disso, no estado de todo o cérebro – e, em último análise, num nível que transcende os conceitos tradicionais de causalidade: na soma entre o estado do cérebro e o seu ambiente." – Walsh, 1980 : 252.

Júlio de Melo Filho, citando trabalhos de Khansari (1990) e de Basedowski (1977), esclarece que as influências múltiplas, simultâneas e, aparentemente inexplicáveis, dos estímulos externos e internos no amadurecimento do sistema imunológico tem sido bastante estudadas nos trabalhos atuais de neuroimunologia, especialidade médica que vincula o psiquismo e a endocrinologia com a imunocompetência de cada indivíduo, denominado por eixo psico-neuro-endócrino-imunitário – pnei, ou simplesmente por psiconeuroimulogia.

Expressando-se sobre a teoria da rede auto-organizadora que envolve o PNEI, o neuro-cirurgião Francisco Di Biasi, se refere à Teoria Autopoiética de Maturana (1981) de organização do seres vivos, afirmando que

"Os linfócitos B, por exemplo, são produzidos na medula óssea de um humano jovem com a incrível velocidade de um milhão de células por segundo, cada nova célula com um anticorpo diferente em sua membrana. (...) Da mesma forma que o sistema nervoso central, o sistema imunológico necessita, para o seu funcionamento, de milhões e milhões de interações simultâneas entre células e moléculas atiradoras e supressoras.

(...) Vaz e Varela desenvolveram uma concepção de reatividade imunológica que consideram "uma extensão das idéias de Jerne sobre a Teoria da Rede, e ao mesmo tempo uma visão autopoiética da imunologia (...) para a qual o sistema está continuamente se auto-reajustando aos distúrbios que sofre, ...". Di Biasi, 1995 : 114.

Moreira (1994), objetivando fundamentar a importância dos aspectos maternais, relaciona o desejo, ou não-desejo, da gravidez pelos pais e o envolvimento destes e principalmente da mãe com sua criança no pós-parto e primeira infância como sendo marcantes na saúde mental dos jovens. A autora se deparou com o que denominou "órfão emocional", estado pscicológico este que, mais tarde, conferiu estar muito presente naqueles indivíduos que aderem às drogas.

"(...) percebia-se em suas respostas a orfandade psíquica, a solidão, o abandono, a falta de carinho com que foram criados, a dificuldade em pensar, a inutilidade de suas vidas, o uso  da droga, a qualquer momento em qualquer situação, a falta de esperança, em qualquer tratamento, mesmo naquele a que estavam agora se submetendo: 'Isto também não é vida', disse um deles". Moreira, 1984 : 71-72.

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